Guerra no Oriente médio e alta dos combustíveis impactam na inflação

Professor de economia analisa como a alta dos combustíveis refletem no aumento dos preços dos produtos no Brasil

Thatiany LucenaA Guerra no Oriente Médio que impactou diretamente na alta dos combustíveis refletem, em cadeia, no aumento dos preços dos produtos no Brasil. De acordo com o professor de economia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), André Melo, o consumidor deve sentir a alta dos preços dos produtos que dependem do frete de transportes como alimentos, bebidas e roupas.

O professor explica que esse cálculo é repassado em cadeia. “Os combustíveis abastecem caminhões e existem produtos que dependem de transporte para chegar ao consumidor nas prateleiras. Tudo isso gera custos para as empresas. Se o preço do combustível é mais caro, o valor do frete fica mais caro. Normalmente, itens como alimentos, refletem esse aumento”, aponta Melo.

Como exemplo, ele cita ainda, outros serviços ligados ao setor de Transportes, que também sofrem o repasse do aumento como passagem de ônibus e outros segmentos que dependem da revenda de itens de uma região para outra, como é o caso de lojas de roupas. “Por exemplo, se a empresa gastava R$ 50 de gasolina para ir lá em Santa Cruz do Capibaribe comprar roupa para você revender e agora vai precisar gastar R$ 80, ela vai ter que vender mais caro para compensar esse aumento de custo”, explica.

Para Melo, apesar de causar efeito na inflação, é difícil mensurar o peso exato da alta da alta do preço dos combustíveis nos produtos, porém, ele destaca que, normalmente, a tendência é que o consumidor adeque a sua rotina de consumo de acordo com as o aumento de preço observados.

“Aquilo que vai pesar mais para o consumidor é o que ele vai deixar de comprar mais. Por exemplo, ele vai deixar de comprar uma carne de mais qualidade por estar mais cara. Então, vai ter que readaptar o bolso para ele poder comprar os produtos que são essenciais, por exemplo, o arroz e o feijão”, aponta.

Sobre práticas abusivas no mercado, o professor de economia lembra os recentes aumentos dos preços dos combustíveis pelos postos de gasolina, antes mesmo da Petrobras aumentar os valores. “O produto já estava lá disponível e os postos aumentaram os preços porque viram que em um futuro na frente ia aumentar o preço. Esse caso é considerado abusivo, algo que não justifica porque não incorporou no custo da empresa”, relembra.


IPCA subiu 0,88% em março no Brasil

Em março, a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegou a 0,88%. O resultado foi 0,18 ponto percentual (p.p) mais alto que em fevereiro, quando foi registrado 0,70%. Como já era esperado pelo mercado, o cenário de instabilidade econômica e a alta dos combustíveis influenciaram no resultado dos indicadores.

Os setores de Transportes (1,64%) e Alimentos e Bebidas (1,56%) foram os que puxaram o aumento da inflação no país, representando juntos, 76% da alta da inflação no mês. Os dados do indicador foram divulgados na sexta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

*Com informações da Agência Brasil

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