FONTE: BR 104
Levantamento exclusivo com dados do SINAPI e SNIC revela que o insumo básico da construção civil saltou de R$ 16,50 para R$ 46,00 em dez anos no Brasil.
UNIÃO DOS PALMARES (AL) — O preço médio do saco de cimento de 50kg (CP II) no Brasil atingiu a marca de R$ 46,00 no primeiro bimestre de 2026.
O valor representa uma alta acumulada de quase 180% nos últimos dez anos, impulsionada por crises logísticas globais, aumento nos custos de energia e a forte retomada do setor da construção civil após o período pandêmico.
Qual a evolução do preço do cimento nos últimos 10 anos?
De acordo com dados oficiais do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI/IBGE), o insumo que custava em média R$ 16,50 em 2016, encerrou o ciclo de uma década com valores que desafiam o orçamento de quem pretende construir ou reformar em 2026.
Confira os valores médios registrados anualmente no Brasil:
| Ano | Preço Médio (Saco 50kg) | Variação (%) | Contexto de Mercado |
|---|---|---|---|
| 2016 | R$ 16,50 | — | Retração no setor da construção. |
| 2017 | R$ 17,20 | +4,2% | Baixa demanda e estabilidade. |
| 2018 | R$ 18,10 | +5,2% | Início de recuperação moderada. |
| 2019 | R$ 19,50 | +7,7% | Aquecimento do mercado imobiliário. |
| 2020 | R$ 24,80 | +27,2% | Início da pandemia e falta de insumos. |
| 2021 | R$ 31,50 | +27,0% | Boom das commodities e custo de frete. |
| 2022 | R$ 35,60 | +13,0% | Pico inflacionário global. |
| 2023 | R$ 33,50 | -5,9% | Correção e estabilização de mercado. |
| 2024 | R$ 36,40 | +8,7% | Retomada de grandes programas habitacionais. |
| 2025 | R$ 39,50 | +8,5% | Aumento nos custos de energia e mão de obra. |
| 2026* | R$ 46,00 | +16,5% | Patamar recorde (Dados Jan/Fev 2026). |
Fonte: SINAPI/IBGE e SNIC. *Dados parciais de 2026.
Por que o preço do cimento subiu tanto?
Especialistas do setor apontam que o “salto” mais agressivo ocorreu entre 2020 e 2022.
Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), a combinação da alta do dólar, o aumento no preço do coque de petróleo (combustível para os fornos) e a escassez de frete internacional desequilibrou os custos de produção.
“O que vemos em 2026 é o reflexo de uma demanda aquecida por obras de infraestrutura federal e programas habitacionais, somada ao custo logístico que ainda não retornou aos patamares pré-crise”, explica o analista de mercado imobiliário, Roberto Cavalcante.
Em Alagoas, o preço pode variar dependendo da distância dos centros de distribuição.
Em União dos Palmares, consumidores relatam que o frete encarece o produto final, fazendo com que o saco de cimento muitas vezes ultrapasse a média nacional, chegando a custar R$ 48,00 em algumas lojas de materiais de construção neste início de ano.
Para quem busca economizar, a orientação é a compra programada e em grandes volumes. A tendência para o restante de 2026 é de manutenção desses patamares elevados, acompanhando a inflação setorial capturada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

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