Indústria do cimento abre 2026 em alta, mas juros de 15% acendem alerta

Vendas cresceram 1.1% em janeiro, impulsionadas pelo mercado de trabalho recorde e pelo avanço do Minha Casa

INDÚSTRIA NEWSFONTE:  por INDÚSTRIA NEWS

Após dois anos de crescimento robusto, a indústria do cimento iniciou 2026 mantendo o fôlego. Em janeiro, o setor comercializou 5,3 milhões de toneladas do insumo, uma alta de 1,1% na comparação anual. O desempenho diário foi ainda mais expressivo: 223,9 mil toneladas, avanço de 3,3% sobre janeiro de 2025, superando inclusive o impacto das fortes chuvas que atingiram o Sul e o Sudeste no período. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Os pilares do consumo

O aquecimento do setor encontra respaldo em indicadores macroeconômicos sólidos. O desemprego encerrou o último ciclo em 5,1%, o menor patamar em 14 anos, elevando a massa salarial ao seu recorde histórico. Com mais brasileiros no mercado formal e renda média em ascensão (R$ 3.560), o consumo formiga e as reformas residenciais seguem aquecidos.

No segmento corporativo, a confiança da construção atingiu o maior nível desde março do ano passado. Esse otimismo é alimentado por três frentes principais:

1 – Infraestrutura: Retomada de investimentos públicos e privados.

2- Minha Casa, Minha Vida: O programa registrou alta de 15,5% nas vendas e projeta contratar 3 milhões de unidades até o fim deste ano.

3 – Médio e Alto Padrão: Novas regras de financiamento que tentam driblar a escassez de crédito.

O “gargalo” dos juros

Apesar dos números positivos, o setor trabalha com cautela. O principal obstáculo é a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, patamar que encarece o crédito e pressiona o endividamento das famílias (hoje em quase 50%). Além disso, a inadimplência, que atinge 81 milhões de pessoas, e a escassez de mão de obra qualificada surgem como desafios estruturais para 2026.

“Iniciamos 2026 com a confiança da construção em seu melhor momento dos últimos dez meses”, analisa Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). “O mercado de trabalho resiliente forma uma base sólida, mas os juros elevados penalizam o consumo. Nossa expectativa recai sobre uma redução consistente da Selic.”

Agenda verde e modernização

No campo da sustentabilidade, o setor de cimento busca protagonismo na transição climática. Alinhada ao Plano Clima, a indústria aposta na regulamentação do mercado de carbono e no uso de Soluções baseadas na Natureza (SbN), como o reflorestamento para compensação de emissões.

Para garantir a competitividade, o SNIC defende a retomada de instrumentos fiscais, como a Depreciação Acelerada, fundamentais para que as fábricas possam modernizar parques industriais e reduzir a pegada de carbono de forma acelerada.

“Iniciamos 2026 com a confiança da construção em seu melhor momento dos últimos dez meses. O mercado de trabalho se mantém resiliente e a renda em alta formam uma base sólida, mas ainda enfrentamos desafios fiscais e juros elevados, que penalizam o crédito imobiliário e o consumo das famílias. Nossa expectativa recai sobre o início e redução consistente da Selic, além da manutenção dos investimentos em infraestrutura”, diz Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.

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