Sondagem da CNI e da CBIC revela queda na operação para 66%, enquanto pessimismo do empresariado das obras dura 20 meses

FONTE : ME / Da Redação ME
A indústria da construção registrou ritmo inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Em julho, o índice de evolução da atividade do setor variou 0,1 ponto, fixando-se em 47,2 pontos. O resultado posiciona o indicador meio ponto abaixo da média histórica para os meses de julho, segundo a Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta segunda-feira (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O desaquecimento do setor impactou diretamente a Utilização da Capacidade Operacional (UCO), que mede a intensidade dos trabalhos nos canteiros de obras. O indicador recuou 1 ponto percentual em agosto, atingindo 66%. O patamar atual representa uma queda de 2 pontos percentuais na comparação com o nível apurado no mesmo mês do ano anterior.
Em sentido oposto à retração das obras, o mercado de trabalho da construção civil apresentou reação favorável e demonstrou resistência. O índice de evolução do número de empregados avançou 0,4 ponto no mês, alcançando 48,3 pontos. Essa marca situa o indicador de contratações 1,6 ponto acima do desempenho médio histórico registrado para os meses de julho.
Descompasso entre atividade e contratações
Gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo explica o porquê do descompasso entre a atividade, a UCO e o emprego. “Essa diferença entre os comportamentos é comum em situações de desaceleração da atividade, que leva um pouco de tempo a mais para começar a se refletir no emprego, sobretudo depois desse longo período de mercado de trabalho bastante aquecido”, aponta.
Apesar de um ajuste positivo pontual, a percepção geral das empresas segue no campo negativo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção subiu 1,6 ponto e encerrou agosto em 47,2 pontos, impulsionado por avaliações ligeiramente melhores sobre a conjuntura atual e o futuro dos negócios.
Pessimismo persistente e projeções do setor
Mesmo com a elevação pontual, o ICEI permanece abaixo do limite crítico de 50 pontos pelo vigésimo mês seguido. A manutenção do índice abaixo dessa marca divisória sinaliza a permanência do quadro de falta de confiança entre os industriais do segmento da construção civil.
As projeções do empresariado para os próximos meses indicam estabilidade e cautela no planejamento operacional. A pesquisa aponta intenção de preservar a quantidade de compras de insumos e matérias-primas, além de manter o contingente de trabalhadores sem grandes alterações no curto prazo.
Sobre o volume geral de negócios, os empresários projetam uma alta sutil na atividade, contrabalançada pela estimativa de diminuição no lançamento de novos empreendimentos e serviços. A intenção de investir manteve-se estável em 42,2 pontos, patamar que permanece superior à média histórica do indicador, fixada em 38,4 pontos.
Comportamento dos índices de expectativa
O desempenho dos indicadores de expectativas para os próximos meses apresentou variações pontuais entre os insumos, o emprego e o volume de negócios. A intenção de compra de insumos e matérias-primas subiu 1,8 ponto, atingindo 50,1 pontos, enquanto a expectativa para o número de empregados avançou 0,9 ponto, alcançando a marca de 50 pontos.
Já o nível de atividade projetado registrou alta de 1,4 ponto, somando 50,6 pontos, em sentido oposto ao indicador de novos empreendimentos e serviços, que caiu 0,2 ponto e recuou para 48,7 pontos.
A edição mais recente da Sondagem Indústria da Construção consultou 318 empresas do setor em todo o país entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026, reunindo informações de 123 empreendimentos de pequeno porte, 133 de médio porte e 62 de grande porte.
Com informações da Agência CNI.

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