Outra prioridade na agenda das entidades setoriais é combater a escassez de mão de obra qualificada, um reflexo direto do rápido crescimento
Por JC / FONTE: JC
A indústria da construção civil no Norte e no Nordeste do Brasil vive um período de intensa expansão, consolidando-se como o principal motor econômico e de geração de empregos nessas regiões. Impulsionado pela reformulação de programas habitacionais e por investimentos em infraestrutura urbana, o setor tem liderado os índices de crescimento nacional. Contudo, para sustentar esse ritmo acelerado, o mercado local corre contra o tempo para superar gargalos históricos, que vão desde distorções em tabelas nacionais de custos logísticos até a urgência na qualificação profissional.
De acordo com Marcos Holanda, economista e presidente do Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção (FNNIC), os indicadores recentes desenham um cenário de forte otimismo. O grande catalisador desse crescimento tem sido o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Entre os anos de 2022 e 2025, o Norte e o Nordeste foram as regiões que registraram a maior evolução no volume de unidades habitacionais no país. O mercado nortista liderou a arrancada com um salto de 101% no número de imóveis do programa, seguido de perto pelo Nordeste, que apresentou uma expansão de 87% no mesmo período.
“Esses números provam que a habitação popular é, estrategicamente, um dos melhores caminhos para gerar emprego e impulsionar a economia dessas regiões”, afirma Marcos Holanda.
HABITAÇÃO E INFRAESTRUTURA
Além da habitação popular, a preparação para grandes eventos internacionais injetou um novo ritmo ao setor. É o caso das obras de infraestrutura e modernização em Belém voltadas para a COP 30. O volume de intervenções urbanas em andamento no Pará tem gerado um impacto econômico imediato e um forte sentimento de confiança entre moradores e empresários locais. Para o presidente do FNNIC, o legado dessas obras ultrapassa o período dos eventos, funcionando como uma vitrine de investimentos e acelerando a modernização urbana da região amazônica.
Logística e qualificação
Apesar do ciclo virtuoso, os construtores das duas regiões enfrentam desafios operacionais complexos. O principal entrave apontado pelas lideranças do setor é a defasagem dos custos de referência oficiais em relação à realidade geográfica local. Atualmente, os contratos de obras públicas costumam seguir tabelas padronizadas nacionalmente que não refletem os custos logísticos reais do Norte e do Nordeste — como o transporte de insumos por vias fluviais na Amazônia ou as grandes distâncias rodoviárias. O setor defende a regionalização desses indicadores governamentais para evitar o sufocamento financeiro das empresas locais.
Outra prioridade na agenda das entidades setoriais é combater a escassez de mão de obra qualificada, um reflexo direto do rápido crescimento do mercado. Para mitigar o problema e promover a inclusão social, o FNNIC estruturou uma parceria com o governo federal direcionada aos cidadãos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). A iniciativa visa capacitar profissionalmente populações em situação de vulnerabilidade para integrá-las aos canteiros de obras ou prepará-las para o empreendedorismo.
A avaliação do setor é de que o futuro da construção civil nas regiões Norte e Nordeste dependerá da continuidade do diálogo estratégico entre a iniciativa privada e o poder público. Ajustar os nós fiscais, garantir a regularidade do financiamento imobiliário e investir em inovação tecnológica são apontados como os passos fundamentais para que a atividade continue gerando emprego, renda e redução das desigualdades regionais a longo prazo.

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